É uma condição psiquiátrica caracterizada por uma alteração persistente do humor, marcada por sentimentos de tristeza profunda, perda de interesse ou prazer em atividades antes apreciadas, além de sintomas físicos e cognitivos que comprometem significativamente a qualidade de vida.
A depressão é identificada clinicamente, com base na análise do histórico do paciente e na observação de seus sinais e sintomas. Embora existam evidências de alterações na estrutura e no funcionamento cerebral, bem como no sistema neuroendócrino, nos processos inflamatórios e nos neurotransmissores—como serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato—, ainda não foi identificado um marcador biológico específico para o transtorno.
O modelo explicativo mais aceito atualmente considera a interação entre predisposição genética e fatores estressantes, como dificuldades financeiras, separações, luto, desemprego, frustrações, decepções e experiências de violência. Na maioria dos casos, a depressão resulta da soma de múltiplos eventos ao longo do tempo, e, em algumas situações, não é possível determinar um fator desencadeante específico.
Os tratamentos são variados e começam com a compreensão integral do indivíduo, levando em consideração seus aspectos biológicos, psicológicos e transcendentais—o que podemos entender como “corpo, mente e espírito”. Apenas com esse entendimento é possível tratar o ser humano de forma completa, reconhecendo a complexidade de seu funcionamento.A abordagem terapêutica inicia-se pela via não farmacológica, que vai além de práticas como atividade física, alimentação equilibrada e higiene do sono. Neste estágio, buscamos compreender a história de vida do indivíduo e seus fatores contextuais. O Dr. Felipe adota os princípios da psicologia tomista como base para essa conduta, integrando uma visão profunda do ser humano em seu tratamento. E somado a esta primeira base de tratamento podemos evoluir para o tratamento farmacológico, que otimiza o tratamento, quando bem indicado. Alcançando assim o gerenciamento dos sintomas e a melhora da qualidade de vida do paciente.
Psicofármacos: A principal classe farmacológica que utilizamos aqui são os antidepressivos, principalmente aqueles que regulam os níveis de serotonina e noradrenalina e quando os medicamentos não produzem o efeito desejado—seja por ineficácia, intolerância aos efeitos colaterais ou contraindicações—outras abordagens terapêuticas podem ser indicadas. Entre elas:
A EMT utiliza ondas magnéticas para modular a atividade dos neurotransmissores, com o objetivo de restabelecer o funcionamento cerebral. É recomendada para casos de depressão leve a moderada. O procedimento é realizado em consultório, sem necessidade de anestesia, permitindo que o paciente permaneça acordado e retome suas atividades diárias normalmente. As sessões ocorrem diariamente (com pausas nos finais de semana) e a quantidade varia conforme a necessidade individual, geralmente entre 15 e 20 sessões. Trata-se de um método seguro, eficaz e com poucos efeitos colaterais, como leve desconforto ou dor de cabeça passageira.
A ECT utiliza estímulos elétricos autolimitados para equilibrar os neurotransmissores e restabelecer a função cerebral. O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, sob anestesia geral e com monitoramento especializado. Cada sessão dura de 5 a 10 minutos, e o paciente recebe alta no mesmo dia. As aplicações ocorrem três vezes por semana, com um número total de sessões determinado individualmente, geralmente entre 6 e 12. A ECT é um tratamento altamente eficaz e seguro, especialmente indicado para casos graves de depressão, incluindo quadros refratários e com risco iminente de suicídio.
A cetamina é uma substância amplamente utilizada na anestesiologia há décadas. No entanto, descobriu-se que, em doses reduzidas e administrada de forma controlada, possui propriedades neuromoduladoras, sendo eficaz no tratamento da depressão recorrente ou resistente a outros tratamentos. O protocolo mais estudado é a infusão endovenosa, com sessões que duram, em média, 40 a 50 minutos. O tratamento inicial, chamado de fase de ataque, inclui de 8 a 12 infusões, geralmente com duas aplicações semanais. Após essa etapa, o paciente entra na fase de manutenção, com sessões mais espaçadas. Os efeitos positivos costumam ser percebidos já na fase inicial do tratamento.